Gestão da sala de aula em turmas grandes: estudo de caso em turmas do ESG1, disciplina de história, numa escola do município da Matola, Moçambique

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Gestão da sala de aula em turmas grandes: estudo de caso em turmas do ESG1, disciplina de história, numa escola do município da Matola, Moçambique

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Título: Gestão da sala de aula em turmas grandes: estudo de caso em turmas do ESG1, disciplina de história, numa escola do município da Matola, Moçambique
Autor: Mofate, Óscar Luís
Resumo: Moçambique é um país onde, desde a independência, e apesar das dificuldades económicas, da instabilidade, dos desafios demográficos, foram conseguidos assinaláveis progressos no alargamento da escolaridade obrigatória e no acesso à educação. Porém, com tais progressos surgiram turmas com mais do que os regulamentares 45 alunos, número já de si elevado, atingindo algumas delas 60 ou mais alunos, em particular no 1º ciclo do Ensino Secundário Geral. Esta é uma situação que largos setores da sociedade tendem a encarar como “normal”, não problematizando os seus efeitos na qualidade das aprendizagens e na formação geral das novas gerações. Nós sentimo-nos profissional e civicamente motivados a contribuir para colocar na ordem do dia as condições de ensino e aprendizagem naquelas turmas e os seus efeitos na gestão destes processos. Por outro lado, os estudos conduzidos nas últimas três décadas sobre o tamanho de turma e sobre a gestão eficaz da sala de aula pouco têm cruzado estes dois campos, sobretudo em contextos de países em desenvolvimento e, em particular, no contexto moçambicano. Assim, considerando os aspetos assinalados, a pesquisa teve como objetivo geral compreender o modo como se processa a gestão da aula em TGs do 1º ciclo do ESG, na disciplina de História, numa escola do município da Matola, Moçambique, e as indicações que ela nos dá sobre a eficácia educativa, disciplinar e transdisciplinar, desses ambientes. Contemplámos para o efeito quatro domínios de análise: gestão do ensino aprendizagem, da sociabilidade, do espaço físico e do tempo da aula, nas condições proporcionadas por TGs. Como estratégia de pesquisa (1) recorreu-se ao estudo de caso, focado em quatro turmas grandes de uma escola pública do ESG do município referido; e (2) procedeu-se a uma abordagem holística da gestão das aulas nestas turmas, explorando além do nível turmas caso, outros que lhe são próximos, como o nível da escola de pertença das turmas (escola foco) e o nível local. Como técnicas de investigação recorreu-se a (1) observação com filmagem de 16 aulas de dois professores de História, em quatro turmas sendo duas do 8º ano e duas do 10º; (2) questionário a 100 professores da escola foco; (3) entrevistas aos dois professores e a 10 alunos das turmas observadas, um diretor pedagógico da escola foco, três professores e três delegados da disciplina de História de três escolas circundantes à escola foco, e três gestores da Administração Distrital de Educação; (4) análise documental de material útil à contextualização do problema. A informação recolhida por observação e entrevistas foi submetida a análise de conteúdo; os dados colhidos por questionário foram submetidos a processamentos estatísticos considerados adequados. Os resultados, que foram objeto de confronto entre os três níveis de análise, e com a literatura, apontam para um quadro de gestão da sala de aula cuja eficácia se revela comprometida, à luz da literatura tomada por referência. Com efeito, embora com algumas discordâncias, mas não essenciais, quanto à gestão (1) do ensino aprendizagem, evidencia-se: recurso aos modelos de ensino tradicional e tradicional melhorado, este último limitado por se revelar bastante normatizado, onde a par dos esforços para o envolvimento do aluno na aprendizagem, se levantam normas que mais potenciam a sua passividade; dificuldades na diversificação e diferenciação do ensino e avaliação; más condições de participação e assistência do aluno na aula; (2) da sociabilidade, evidencia-se: (a) existência de um quadro normativo explícito, porém, prejudicado por não se envolver os alunos na sua definição, se privilegiar para o mesmo uma regulação mais corretiva que preventiva, e ser restrita a efetiva verificação do (in)cumprimento das normas, em virtude do difícil acompanhamento e controlo da turma; (b) restrições à participação dos alunos, sendo que, quando ocorre, é sobretudo reativa e coletiva, escasseando oportunidades de participação para a maioria dos alunos, o que reforça a tendência a “esconder-se”, a evitá-la; (c) interações assentes na iniciativa e atividade comunicativa do professor, apresentandose o aluno maioritariamente como o interlocutor passivo, e no restrito número de alunos envolvidos nas interações; (d) potenciação de comportamentos disruptivos do aluno (barulho, desacatos e conversas paralelas), geridos através de ações marcadamente corretivas; (3) do espaço físico da sala, se evidencia o desajustamento do espaço e mobiliário à dimensão da turma, com consequências na movimentação e normal acompanhamento pedagógico dos participantes; (4) do tempo da aula, se evidencia que os protagonistas não concretizam adequadamente as atividades que se propõem levar a cabo. Em suma, os resultados confirmam que as TGs estão associadas a um prejuízo exponencial das condições de gestão eficaz da aula. Por fim, as ações de minimização dos constrangimentos provocadas pelas TGs identificadas nos três níveis de análise revelam-se insuficientes, na medida em que privilegiam ações avulsas que eventualmente produzem resultados de curto prazo, resolvendo algumas situações de momento, daí a necessidade de definição de mais ações estruturais em reforço ao que está sendo feito. Em suma, para um problema que é multifatorial requerem-se ações articuladas a vários níveis, a fim de que a intervenção pedagógica possa ganhar eficácia e, à partida, requer-se reconhecimento e enfrentamento da questão das TGs como um problema sério do sistema.Mozambique has been a country where, since independence, despite economic difficulties, instability, and demographic challenges, progress has been made in expanding compulsory schooling and access to education. However, with such progress, large classes have emerged, that is, classes with more than 45 students, number foreseen in the Secondary School Education Regulation (Ministry of Education/MINED, 2003), some of them, having 60 or more students, particularly in the 1st cycle of General Secondary Education. This is a situation that large sectors of society tend to regard as "normal", not problematizing their effects on the quality of learning and, on the general education of the new generations. We feel professional and civically motivated to contribute in order to put the teaching and learning conditions in those classes and their effects on these processes management, on the agenda. On the other hand, the studies conducted over the last three decades on class size and on effective classroom management, have hardly crossed these two fields, especially in contexts of developing countries, and in particular in the Mozambican context. Considering the mentioned aspects, the research had as general objective to understand the way in which large classes of the 1st cycle of the General Secondary Education, in the History course, is managed, in a school in the Municipality of Matola, Mozambique and the indications it gives us about the educational effectiveness of that environment. We considered four domains of analysis: management of teaching and learning, sociability, physical space and class time, under the conditions provided by large classes. As a research strategy (1) we used the case study, focused on four large classes of a public secondary school in the mentioned municipality; and (2) a holistic approach to classroom management in these classes was explored, in addition to the "case groups" level, others that were close to them, such as the "focus school" level and the local level. As research techniques we used (1) observation with filming, of 16 classes of two History teachers, in four classes: two of grade eight and the other two of grade 10; (2) questionnaire to 100 focus school teachers; (3) interviews with the two teachers and 10 students from the classes observed, a pedagogical director of the focus school, three teachers and three delegates of the History discipline from three schools surrounding the focus school, and three managers from the District Education Administration; (4) documentary analysis of material useful to contextualize the problem. The information collected through observation and interviews was submitted to content analysis; the data collected through questionnaire were submitted to adequate statistical processing. The results, on which the confrontation between the three levels of analysis and the literature were sought, point to a classroom management framework, on which effectiveness is proving to be compromised, in the light of the literature taken by reference. Indeed, although there are some disagreements, but not essential to the management (1) of teaching and learning, there is evidence that teachers use traditional and improved traditional teaching methods, the latter being limited due to the fact that it is quite standardized; although there efforts in order to involve students in learning, there are raised standards that more potentiate their passivity; and there are difficulties in the diversification and differentiation of teaching and evaluation; and bad conditions of student participation and assistance in class; (2) also, the management of sociability, is marked by (a) an explicit normative framework, however, hampered by the fact that students are not involved in its definition, it favors a more corrective rather than a preventive regulation, there is (in) compliance of the rules, due to the difficult monitoring and controlling of the class; (b) restrictions on student participation, and when it occurs, it is mainly reactive and collective, lacking opportunities for participation for the majority of students, which reinforces the tendency to "hide", to avoid it; (c) interactions based on the initiative and communicative activity of the teacher, presenting the student mainly as the passive interlocutor, and by the restricted number of students involved in the interactions; (d) enhancement of student disruptive behavior (noise, disrespect and parallel conversations), managed through markedly corrective actions; (3) the management of the physical space of the room, is marked by the mismatch of the space and furniture to the size of the class, with consequences in the movement and normal pedagogical accompaniment of the participants; (4) on the management of the class time, it is evident that the protagonists do not adequately carry out the activities they intend to carry out. In summary, the results confirm that large classes are associated with an exponential impairment of the conditions of effective classroom management. Finally, the actions to minimize the constraints caused by large classes identified at the three levels of analysis are insufficient, since they favor single actions that eventually produce short-term results, solving some situations at the moment, hence there is a need to define more reinforcing on what is being done. Finally, it is important to underline that to solve a problem that is multifactorial requires articulated actions at various levels, so that pedagogical intervention can gain effectiveness and, besides that recognition and confrontation of the large classes issue is required as a serious problem of the system.
Descrição: Orientação: Ana Caria
URI: http://hdl.handle.net/10437/8752
Data: 2018


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