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Abstract:
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Orwell é o padrão sob o qual ou contra o
qual os críticos se lançam na guerra. É um lugarcomum
que Orwell tem sido reclamado como a
luz orientadora de quase todas as doutrinas
políticas existentes, desde o velho Labour até
ao neo-liberalismo, mas em lado nenhum é o seu
lado icónico mais evidente do que na utilização
que dele é feita como figura de proa na batalha
contra o pós-modernismo académico. Nada nos
escritos de Orwell, clar, nem sequer os seus
mais cáusticos ataques ao “relativismo”
induzido pelo Partido de intelectuais de
Esquerda, sugere que tenha inventado ou
mesmo previsto o pós-modernismo e a oposição
a este. Mas um público institucional particular
insiste em reclamá-lo como profeta do primeiro
e, similarmente, como líder espiritual da
segunda. São eles, não ele, que fazem a ligação
entre reescritas ideológicas da história e da
ciência nazis e soviéticas (ou de inspiração
soviética) e as práticas dos académicos ocidentais
de hoje, e extrapolam consequências totalitárias
deste facto. Que ambas as actividades
são exemplos flagrantes da falácia do tipo “se
Orwell aqui estivesse hoje pensaria como eu”,
foge à sua atenção. Que os escritos de Orwell,
com selecção e interpretação adequadas,
possam servir como arma de eleição na cruzada
anti-pós-moderna confirma o seu valor instrumental
mais do que fundacional. Também
constituem a matéria-prima para este tipo de
crítico mais preocupado com a política britânica
moderna, que trata de pendurar a sua,
discutivelmente mais fiel, versão de Orwell na
parede. |