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Abstract:
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“A memória não é um instrumento para
explorar o passado, mas o seu teatro” (Walter
Benjamin), cujos actores são pessoas comuns
que recordam e recriam eventos passados
através de diferentes formas de representação.
Assim sendo, a memória é dinâmica e reconstrutiva
e permite perpetuar a experiência, bem
como criar e legitimar a identidade de cada um
(Eber and Neal, 2001:37). O objectivo deste
artigo é analisar os desenhos de Jack Sullivan
sobre a comunidade das docas de Cardiff,
conhecida como Butetown ou “Tiger Bay”, e a
sua importância enquanto prática cultural na
(re)construção de uma memória colectiva e
imaginada. De que forma é que esta comunidade
das docas é recordada e de que modo são as
suas práticas quotidianas representadas
através de desenhos? Quem e o que é que
Sullivan representa? O que deixa na obscuridade?
Como é que a memória individual se torna
em memória colectiva?
A este artigo subjaz a ideia de que os
desenhos de Jack Sullivan, que estiveram na
origem dos seus reconhecidos quadros
compilados em Tramp Steamers, Seamen &
Sailor Town, se apresentam como uma “forma
de lembrança” de eventos passados, tanto para
aqueles que viveram nesta área de Cardiff,
como para aqueles que lhe eram espacial e
temporalmente alheios. Estes desenhos constroem
as memórias individuais e colectiva,
tornando esta comunidade das docas acessível
a todos. |