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Abstract:
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A escrita pós-moderna de Salman Rushdie
faz confluir, de modo irónico, tradições
aparentemente incompatíveis entre si. No seu
romance Haroun and the Sea of Stories (1990),
os recursos de Rushdie a várias culturas
reúnem-se para dar origem a uma nova e
imaginativa consciência multicultural. Claro que
esta atitude é baseada na suposição de que as
tradições não devem ser rejeitadas como
irrelevantes, já que constituem aquilo que é a
nossa herança cultural.
O próprio Rushdie associa a escrita ficcional
à procura de uma noção de verdade, por muito
irónica que esta seja, defendendo que a
condição contemporânea se caracteriza pela
rejeição de explicações totalizantes. Para além
disso, Ruhdie afirma que o romance, como
forma criada para discutir a fragmentação da
verdade, se insere nesta demanda. É como se
ele, em Haroun, também quisesse recriar nos
seus leitores a desinquietante, senão exultante,
semelhança com o mundo exterior, em
constante movimento de redefinição. Neste
sentido, esta “chutnificação da história”, como
Salman Rushdie lhe chama, não nega nem a
noção do passado, nem a da identidade,
confirmando, antes pelo contrário, que tanto a
história como as identidades que cria constituem
processos intermináveis. |