|
Abstract:
|
A presença cada vez mais frequente de
representações da alteridade étnica nos media,
ainda que por ora limitada, tem propiciado a
criação de narrativas de resistência pelas
minorias. Uma das motivações deste artigo é
indagar sobre as efectivas possibilidades de
fundamentar com sucesso um campo de acção
política que permita uma autoformação cultural
e uma mudança colectiva, numa área de
representação dominada por ecrãs mediáticos
penetrantes e insidiosos. Procurámos respostas
para esta questão em sketches seleccionados
da série cómica televisiva Valha-me Deus
(Goodness Gracious Me, BBC, 1998-2001),
escrita e representada por artistas de ascendência
indiana residentes no Reino Unido.
Enquanto se assiste a uma tendência encorajadora
de criação de um espaço mais alargado
nos media para as minorias, a crescente
visibilidade indo-britânica nestes depende da
economia política das indústrias culturais.
Como tal, o enfoque deste texto reside no
entendimento daquele programa humorístico
enquanto texto ambivalente, integrado na
indústria britânica dos media através da lógica
do hibridismo cultural e do cosmopolitismo. |