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Abstract:
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complexificação das tecnologias de
consumo, os procedimentos associados à
percepção visual tornaram-se o objecto central
da própria visão e, consequentemente,
colocaram-se no centro da teoria. Num certo
sentido, podemos afirmar que uma nova
compreensão, quer da luz, quer da temporalidade,
se tornou na principal fonte da fenomenologia
do século XX e da ontologia das artes
visuais. A modernização tecnológica também
efectuou uma reavaliação da visão, abrindo
caminho para uma nova compreensão da imagem
e da percepção visual nas artes tecnológicas
contemporâneas. A Estética é, agora, uma
disciplina filosófica essencialmente preocupada
com a luz e com a percepção. Pode a História da
Arte coincidir com uma história da percepção?
Nos nossos dias, e depois de um longo período
de relação equívoca, o crítico de arte e o investigador
académico do domínio artístico estão
ligados por uma estranha assimetria cognitiva
das suas narrativas: ao mesmo tempo que
ambos se encontram no processo de abandonarem
critérios próprios de avaliação da
debilitada qualidade estética das obras de arte
contemporâneas, devem assegurar que o quadro
tecnológico que sustenta e dinamiza a arte
contemporânea não se transforma em justificação
teleológica da tecnologia em si mesma,
sustentando o seu devir como sinónimo da arte.
De facto, os cultural studies são, cada vez mais,
confrontados com a necessidade de conceptualizarem
a técnica enquanto elemento chave da
cultura. |