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Abstract:
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Neste ensaio pretendemos reflectir sobre
algumas das diferenças a estabelecer entre as
noções de «jogabilidade ergódica» e de «ficção
narrativa», essencialmente, por relação com as
categorias de «simulação» e de «representação
». Como acontece sempre em casos
semelhantes, as primeiras investigações neste
campo do saber (que se desenvolvem como uma
das linhas de investigação do criticismo
ludológico, sobretudo, a partir dos finais dos
anos 90) consideram o estudo dos jogos no
contexto das teorias já existentes, em especial,
comparativamente às teorias narratológicas, o
que não será de estranhar se se disser que, com
efeito, enquanto o estudo sobre jogos tem perto
de 40 anos, o sobre narrativas já leva vários
séculos de avanço, sendo um dos mais
influentes da nossa cultura Ocidental, iniciandose,
precisamente, com os estudos desenvolvidos
a partir da Poética aristotélica. No
entanto, se haverá, porventura, jogos em que a
composição «narrativa» é por demais evidente
(como é o caso, por exemplo, da maioria dos de
aventura), contudo, haverá outros em que ela é
(claramente) substituída pela componente
«jogabilidade» e pelos mecanismos de (pura)
simulação. Por exemplo, uma coisa é a
«representação» (imagética) da cidade de
Londres e outra, bem diferente, a «simulação»
(maquínica) de uma cidade de Sim City,
obedecendo a um «modelo» que inclui «regras»
(de comportamento). Ou seja, enquanto uma
narrativa descreve acontecimentos particulares,
passíveis de serem generalizados para se
inferirem as regras; os jogos, enquanto simulações,
baseiam-se em regras gerais que podem
ser aplicadas a casos particulares, possibilitando
a «experimentação» e a possibilidade de
se «modelar» as regras que governam o
sistema. A questão que prima facie se coloca, e
que já tem vindo a ser referida, com maior ou
menor insistência e acutilância, por outros
teóricos, é saber se este novo objecto de
estudo, designado de «videojogo» ou de «jogo
de electrónico/computador», enquanto objecto
de estudo da Ludologia (mas que não se esgota
nele!), não obriga à construção de novas
categorias hermenêuticas, por implicar uma
actividade, em termos de experiência, diferente
daquela analisada, em termos formais, pelas
metodologias descritivas em causa.
É que, com efeito, a categoria da simulação
ergódica/«jogabilidade» permite novas formas
de experienciar/construir a mediação/imersão e,
com ela, mais perto de nos retratarmos, lúdica e maquinicamente, do lado-de-lá do espelho/ecrã (diferente do espelho/papel) em que nos vemos transformar, quantas vezes heteronimicamente, numa qualquer Alice feita gente. |