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Ciências e Tecnologias da Saúde Ano 3 n.º01 : [8]

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A Revista Lusófona de Ciências e Tecnologias de Saúde entra agora no seu terceiro ano de existência formal e, no seu número 5. Uma existência esforçada, conhecidas que são as nossas dificuldades culturais, apesar de pertencermos a um suposto "grupo da frente", certamente mais por proximidade geopolítica que por força dos indicadores de desenvolvimento científico (número de doutorados, numero de novos doutores, produção cientifica nacional, patentes, ...). que também conhecemos.
Nos diversos domínios da saúde, as nossas fraquezas são muito evidentes, deixando-nos muito longe desses indicadores. Mesmo, e apesar, da importante contribuição de alguns grupos de referência, há muito suportados pela estrutura pública de financiamento da I&D, e que, por isso, têm já algumas bases de cultura "institucional" e, de uma indústria (nacional) que, apesar de preparada para os desafios do futuro, ainda não se constitui como promotor de inovação e desenvolvimento científico.
Actualmente, nestas áreas, a publicação regular em português (ou em registo bilingue) resume-se a algumas especialidades médicas, e a alguns boletins e cadernos institucionais. Nas ciências farmacêuticas, a mais antiga publicação, hoje patrocinada pela Sociedade Portuguesa de Ciências Farmacêuticas, perdeu a capacidade de ser editada regularmente. E, no que respeita à Enfermagem e Tecnologias da saúde, o panorama é ainda mais estreito.
Todos estes factos sublinham a importância desta nossa aposta. Porque é fundamental persistir na promoção da investigação de qualidade, como factor essencial do desenvolvimento de uma cultura institucional universitária. Porque é persisitir no desenvolvimento da própria sociedade e do País.
Neste caminho, o número 5 desta nossa revista mantém o seu conteúdo concentrado nos sectores usuais (Saúde e Sociedade, Ciências Biomédicas e Ciências Biofarmacêuticas) com diversas contribuições, incluindo as de diversos colaboradores directos, dando conta de algum trabalho experimental desenvolvido na instituição.
Há, contudo, uma outra razão para sublinhar nos conteúdos do número 5.
Efectivamente, este número reúne ainda, no Suplemento I, os resumos das comunicações apresentadas sobre a forma de poster, no I Simpósio Lusófono de Cuidados Farmacêuticos / I Encontro Luso-Espanhol de Cuidados Farmacêuticos realizado em Lisboa, na Universidade Lusófona, no dia 27 de Maio passado, reunindo quase 170 farmacêuticos, investigadores, professores e alunos, interessados nesta temática. Actualmente os Cuidados Farmacêuticos constituem um conceito abrangente, que se entende como da interacção entre o farmacêutico e o seu doente, tendo como objectivo atingir a melhoria da sua qualidade de vida. Através do chamado Seguimento Farmacoterapêutico, o farmacêutico aplica os seus conhecimentos sobre problemas de saúde e medicamentos, de modo a resolver resultados clínicos negativos onde a inefectividade terapêutica e, os problemas relacionados com medicamentos, representam aspectos centrais.
A Universidade Lusófona, desenvolve, desde há muito, diversas actividades neste domínio, através do seu Grupo de Investigação em Cuidados Farmacêuticos (GICUF) que, mais uma vez, deu provas do seu dinamismo com este Simpósio. Subordinado ao tema "Seguimento Farmacoterapêutico: do sonho à realidade" este evento proporcionou um importante "ponto de situação" sobre a intervenção farmacêutica em diversas áreas de actuação, em diversos países (Brasil, Espanha e Portugal), onstituindo-se como um fórum de reflexão e de avaliação de iniciativas e experiências, que urgia acontecer. Estão pois de parabéns todos os intervenientes neste evento.
Estão também de parabéns os doentes que, em última análise, beneficiarão de uma prática profissional que, embora estando a dar os primeiros passos, demonstra já a suficiente consistência e determinação para nos fazer antever o que será a evolução próxima do desempenho farmacêutico, e o seu impacto nos cuidados de saúde, nos cuidados primários e nos cuidados hospitalares.
Pela nossa parte poderemos garantir, como fizemos para a nossa revista, que a Universidade Lusófona e o seu Departamento de Ciências da Saúde, continuarão a dinamizar e a apoiar todas as iniciativas nesta área de actuação profissional, e noutras que, igualmente, visem o desenvolvimento da nossa cultura institucional, da nossa sociedade e do nosso País.
Bem hajam.

 

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